O litoral norte é umas das regiões mais bonitas do Brasil. Suas pequenas enseadas rodeadas por uma mata de verde estonteante surpreendem e encantam tanto os brasileiros quanto os estrangeiros. Gerenciar o lixo produzido nessa área não é tarefa fácil. São produzidas em média 306 toneladas de lixo ao dia (fora da temporada), assim distribuídas: São Sebastião (100 toneladas), Ilhabela (20 toneladas), Ubatuba (80 toneladas) e Caraguatatuba (106 toneladas), conforme dados das prefeituras. O que dá um total de 111.690 tonelada ao ano, isso porque não estamos nem considerando a alta temporada.
Conforme o coordenador da CT-SAN, Fábio Godoy, ao discutir resíduos sólidos é fundamental mudar padrões de produção de resíduos por meio da educação sobre o consumo. “O Litoral Norte sofre com a falta de espaço para destinação final de lixo e de política de gestão integrada desses resíduos. A não geração e minimização do resíduo constituem nosso primeiro objetivo em busca de alternativas tecnológicas que atendam às necessidades da região”.
Ele enfatiza que antes de discutir o melhor sistema de disposição final é preciso minimizar os rejeitos e promover separação e reciclagem de materiais, compostagem, logística reversa (restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para reaproveitamento) e demais mecanismos inseridos na Política Nacional de Resíduos Sólidos. “Um dos desafios é resolver os problemas causados pela sazonalidade”, observa.
Em sua opinião, o envolvimento da sociedade aliado à adoção de políticas de gestão integrada de resíduos é a maneira de se discutir esta questão em uma região que possui 281.779 habitantes (IBGE-2010).
No dia 17 de junho foi realizado o Seminário de Resíduos Sólidos “Desafios da Sustentabilidade” em Caraguatatuba. O evento foi promovido pelo CBH-LN (Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte), o programa visava discutir a problemática que afeta esta região, uma das últimas reservas preservadas da Mata Atlântica do Estado de São Paulo. É ótimo ver que a preocupação não é só com o lixo em si, mas também com o próprio consumo que é atualmente um motor gerador desenfreado.
No último fim de semana tive a oportunidade de passear pela região. Conheci a praia Sete Fontes, uma pequena praia que só pode ser acessada a pé ou de barco. Lá existem vários bares e fui surpreendida quando observei que o dono de um dos bares separava todo o lixo produzido para ser reciclado. É fácil separar o lixo quando se mora por exemplo em São Paulo, para mim particularmente basta andar 20 metros e colocar o material em uma grande caixa. O prédio depois faz a separação e o caminhão passa para coletar. Agora, lá em Ubatuba, em
uma área que não tem acesso de carro, tornando o transporte comum difícil, é fantástico ver que as pessoas da região estão preocupadas com o meio ambiente e tomam iniciativas reais a favor da preservação.
Fonte sobre o Seminário de Resíduos Sólidos “Desafios da Sustentabilidade”: Comitê de Bacias Hidrográficas do Litoral Norte





