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Nesta semana estou em Orlando nos Estados Unidos. Vim visitar minha família e aproveitei para fazer alguns contatos e pesquisar como os americanos lidam com a retornabilidade. Eu já sabia que algumas pequenas cervejarias oferecem garrafas retornáveis. Falando com amigos que moram em Milwaukee fiquei sabendo de uma nova destilaria chamada  Great Lakes Distillery. Eles produzem vodka e outros destilados. Dentro dos objetivos da empresa está a proposta de não contribuir com o volume de garrafas descartadas de vidro no aterro local.
Eles desenvolveram uma campanha (Bottle Conservation Program) motivando consumidores a retornar suas garrafas. O custo inicial dessas garrafas é mais caro pois elas são feitas de um vidro mais grosso, no entanto o processo de reuso cobre essa diferença e ainda resulta em uma economia de uns dois mil dólares por ano.
O programa que reutiliza garrafas de bebidas alcoólicas destiladas é um dos primeiros lançados nos Estados Unidos. A empresa se diferencia e mantém seu compromisso com o meio ambiente já que reutilizar é uma prática muito mais verde do que reciclar, que usa uma quantidade maior de energia para converter velhas garrafas em vidro novo.

Grandes empresas destiladoras distribuem suas bebidas por todo o país, e talvez por isso um programa de reuso tenha uma logística mais complicada. A resposta talvez esteja realmente nos negócios pequenos. Uma empresa menor tem menos burocracia e as decisões podem ser tomadas com muito mais rapidez. Também uma maior preocupação com o entorno e a busca de soluções viáveis garantem uma melhor relação com os vizinhos e por consequência mais prestígio. Qual vizinho não fará questão de consumir o produto local que além de qualidade oferece respeito ao meio ambiente?

“Plastic: A Toxic Love Story” by Susan Freinkel; Houghton Mifflin Harcourt (324 pages, $27)

Quem não tem plástico em casa? Quem percebe sua presença? Quem o ama? Quem o odeia?

Ele está em todo lugar, nossos carros, nossas cozinhas, uma infinidade de produtos. É extremamente usado na medicina. Ele nos oferece brinquedos inquebráveis e uma das maravilhas do mundo: o cartão de crédito.

A promessa do plástico é simples e complete: conveniência, conforto, segurança, diversão e vá lá, frivolidade. Assim descreve o plástico, Susan Freinkel, autora do livro “Plástico: uma tóxica história de amor”.

Mas note que o título já nos passa a mensagem de que alguma coisa está errada.

Susan diz que: “Claro, plásticos nos oferecem muitas coisas, mas os benefícios são acompanhados de muitos custos que nunca foram considerados na nossa fase de lua de mel”. “O plástico vem de fôsseis finitos. Eles permanecem no meio ambiente. Em sua composição sempre são adicionados químicos prejudiciais. Eles se acumulam nos lixões.”

Apesar disso tudo nossa dependência só cresce. Em 1940 ele era quase inexistente. Hoje em dia só os Estados Unidos produzem mais de 273 bilhões de kg por ano.

O livro é importante porque explica a complexidade do mundo plástico atual. Mais que isso é fascinante, cada capítulo traz uma nova estatística surpreendente ou um fato desconhecido. Susan conta a história do plástico através de objetos comuns, pente, cadeira, isqueiro, sacola, garrafas e cartão de crédito.

Talvez não tenha uma outra área que o plástico tenha se tornado tão essencial como na área médica.
Susan comenta: “Com os plásticos, hospitais puderam mudar de equipamentos que davam muito trabalho para esterilizar para equipamentos descartáveis. É claro que isso aumentou a segurança e diminuiu os custos e também possibilitou que muitos pacientes fossem tratados em casa”.
Mas ao observar a unidade neonatal de um hospital em Washington, onde Amy, um bebê de 4 meses que está lutando por sua vida e depende de plásticos de todos os tipos, ela questiona como hoje em dia pesquisas sugerem que algums tubos e equipamentos que administram remédios e alimentam esses seres tão vulneráveis também são fontes de químicos que podem prejudicar a saúde dessas crianças.

Ela está falando de ftalatos e bisfenol A, desreguladores endócrinos que estão presentes em alguns tipos de plásticos.

Susan também fala do lixão do Oceano Pacífico que formado por correntes toma conta de km. Ela não esquece de mencionar os bioplásticos e nem as mudanças na legislação americana.

Atualmente, um terço das 224 bilhões de bebidas vendidas nos Estados Unidos são feitas de PET.

O ciclo de vida do plástico não é muito considerado pelos consumidores. “Nós utilizamos substâncias naturais, criadas a milhões de anos e as transformamos em produtos destinados a serem usados em minutos e depois retornamos isso ao planeta como lixo que desenvolvemos para nunca estragar”, diz Susan.

No final das contas, não interessa se você gosta de plástico ou não, mas que o seu uso está fora de ordem.

Se aditivos são problemáticos, como podemos evitá-los?
Como lidar com tantos problemas ambientais? O que fazer com o plástico que sobra depois da reciclagem (já que ele pode ser reciclado um número limitado de vezes)?

Será que sairemos da era do plástico? Ou será que arqueólogos milênios a frente encontrarão uma civilização que se sufocou até a morte com o lixo produzido?

Plastic: A Toxic Love Story

Autora: Susan Freinkel
Editora: Houghton Mifflin Harcourt
Ano: 2011
Páginas: 336

http://www.amazon.com/Plastic-Toxic-Story-Susan-Freinkel/dp/054715240X

fonte:  Kansas City – 26/04/2011

Na semana passada estive em Piracicaba onde em um pequeno supermercado me deparei com garrafas de vidro retornáveis da Coca-Cola. Foi uma agradável e inesperada surpresa.

Conversei com a dona do estabelecimento e ela foi muito clara. Disse que seus clientes preferem comprar as garrafas retornáveis devido ao menor custo. Não é uma conta fácil?

O cliente paga menos por reutilizar a embalagem. O vendedor ganha mais por vender maior quantidade e ainda sabe que está fazendo uma venda com uma menor pegada ecológica. O fornecedor também ganha mais pelo volume vendido e por gastar menos insumos na produção de embalagens. A estrutura já está montada, já que os caminhões passam no estabelecimento para levar produtos novos e recolher as embalagens retornáveis. Enfim é o famoso ganha-ganha (win-win).

Esse sistema que não é novo, mas que faz todo o sentido na conjuntura atual tem que ser expandido para todo o Brasil e de preferência em todo o mundo.

Aproveitando o ensejo seguem 7 dicas para uma cozinha mais verde:

1.Prefira comprar alimentos a granel ao invés de utilizar pequenas embalagens

2.Planeje seu menu semanal a fim de fazer só uma compra por semana. Economia de tempo, gasolina e dinheiro (assim você fica menos propensa a cair em tentação cada vez que vai ao supermercado).

3.Tenha sempre em seu carro uma sacola reutilizável.

4.Cozinhe uma vez para mais de um dia. Dessa maneira você utiliza menos seu fogão e economiza energia e dinheiro.

5.Plante seu próprio jardim de ervas. Um vaso pequeno pode conter várias ervas (no meu eu tenho Manjericão, Alecrim, Estragão e Capim Limão. Economia de dinheiro (assim não precisa comprar um maço inteiro se precisa só de algumas folhas) e também menor pegada ecológica (menos sacos plásticos).

6.Sempre leve no carro uma garrafa de aço inox com água do filtro de casa.

7.Prefira em casa usar panos de prato e guardanapo de pano. Ao utilizar menos papel toalha e guardanapos de papel você diminuirá a quantidade de lixo gerada.

Esta semana começou com muitas novidades e uma visita interessante.

No domingo fui de bicicleta com um amigo ao Memorial da América Latina. Estava animada pois não conhecia o espaço. 3 surpresas. Uma boa e duas ruins. Vou começar pelas ruins. Ao chegar no local se sente um certo abandono. Que tristeza ver um lugar tão especial com um entorno tão mal cuidado. O lixo ao redor infelizmente é muito visível e mais uma vez observei o triste espetáculo do plástico descartável jogado na rua. A decepção é dupla, com as pessoas que não se preocupam em jogar o lixo, que em primeiro lugar deveriam ter evitado consumir, no lugar certo e com os responsáveis pelo local que ignoram a importância da parte externa. 

A surpresa boa é que tanto a exposição permanente como a temporária são muito bonitas. A melhor parte foi uma montagem em miniatura do mapa da América Latina com miniaturas das cidades mais importantes e sua riqueza cultural.

 

 

 

 

Inaugurado em 18 de março de 1989 na Barra Funda, o Memorial da América Latina foi criado para difundir as manifestações latino-americanas de criatividade e saber, sempre com o objetivo de interagir relações culturais, políticas, econômicas e sociais.
Em uma área com 84.480 m², o arquiteto Oscar Niemeyer projetou o espaço em cima de um projeto cultural desenvolvido pelo sociólogo brasileiro Darcy Ribeiro, que sempre defendeu a integração da América Latina.

Memorial da América Latina
Endereço: Avenida Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda – Zona Oeste (Metrô Barra Funda)
Tel.: (11) 3823-4600
E-mail: bancodeideias@memorial.sp.gov.br
Site: www.memorial.sp.gov.br
Horário: De terça a domingo, das 9h às 18h
Grátis

Agora as duas boas notícias da semana:

A primeira é que foi confirmada a Virada Sustentável
04 e 05 de junho de 2011
São Paulo

A Virada Sustentável é um evento cultural que reúne atrações e atividades ligadas aos temas da sustentabilidade (mudanças climáticas, biodiversidade, água, reciclagem, diversidade, direitos humanos, mobilidade urbana etc.).
Realizada em parceria com o poder público local, parceiros estratégicos e empresas patrocinadoras, a Virada Sustentável é um evento sem fins lucrativos, que além de promover atrações gratuitas e abertas ao público, estimula e acolhe ações e eventos paralelos aderentes ao conteúdo proposto.

A segunda é que hoje recebemos o apoio de uma entidade americana fabulosa: Plastic Pollution Coalition.
O site discute a poluição do plástico no planeta e lançou agora em março um novo site com notícias do mundo inteiro sobre o tema: www.plasticfreetime.com
Eles são tremendamente ativos e é uma honra ter seu apoio.
Convido a todos a dar uma olhada no site e assinar a pledge contra o uso de plásticos descartáveis.

Precisa falar mais alguma coisa?
O interessante das reportagens é que elas só mencionam o esforço das prefeituras para recolher o lixo, que é claro que é importante mas no momento atual teria sido importante tomar iniciativas que diminuissem esse volume louco e também que lhe dessem um bom destino. Disso também ninguém fala.

Essas últimas 3 semanas foram bem corridas. Tive alguns eventos de interpretação e também o aniversário de minha mãe de 70 anos. Durante todo esse tempo fiquei com o desafio na cabeça.
Seria possível viver um mês sem comprar nada de plástico?
Eu falhei. Definitivamente comprei menos plásticos, mas não pude evitar. Ou mudam os produtos ou nós mudamos e se a mudança não é coordenada, alguém perde.
O que foi mais fácil até agora? Recusar canudo e copo plástico descartável (em restaurantes por kg por exemplo eu peço um de vidro, eles sempre têm).
No Ibirapuera tomo a água de coco no coco. Em restaurantes mais finos eu só tomo suco. Ok, não vou mentir, teve um dia que esqueci e acabei tomando uma água garrafinha (maldição!).

embalagens consumidas em uma semana

O meu maior problema porém foi na hora de ir ao supermercado. Vocês já olharam a seção de alimentos? Qualquer corredor é lotado de plástico. Mesmo onde as frutas e verduras são vendidas soltas o plástico e isopor reinam, ironicamente os orgânicos são os mais bem embalados. Agora como isso faz sentido? Você quer evitar químicos e compra orgânicos que vêm embalados em isopor com estireno*. Eu compro a maior parte de minhas frutas e verduras do pessoal da Cesta Orgânica. Tudo vem solto ou em sacolinhas de pano (achei essa ideia muito boa). Mas as vezes tenho que ir em um super normal e o resultado? Isopor e copinhos de iogurte. Que tristeza.
O desafio ainda não acabou, então hoje começo a última semana mais determinada do que nunca. Esta semana eu não comprarei nada plástico.

 

 

Ao retornar hoje para casa eu voltei pelo Ibirapuera. Dei de cara com Maurício e Roberto que fazem a limpeza dos lagos. O que tinha dentro do barco deles? Plásticos descartáveis. A maior parte do lixo recolhido era de copos e garrafinhas. Que insulto. As pessoas (algumas) não só compram o descartável, como jogam fora no chão, ou direto no lago. Pedi que eles deixassem uma mensagem para essas pessoas.

O trabalho deles não é fácil, aproveito a oportunidade para parabenizar toda a equipe da cidade que limpa o que nós irresponsavelmente jogamos fora e lanço o desafio para você que está lendo. Você consegue diminuir seu consumo de plástico? Que ações, pequenas ou grande vc pode fazer?


Tem um site muito interessante em Inglês que fala em profundidade sobre o assunto:Plastic Pollution Coalition. São pessoas e empresas que buscam eliminar a poluição plástica. Não precisamos esperar consumir o mesmo que os Estados Unidos para começar a se movimentar. O momento é agora e sua iniciativa pode beneficiar muita gente.

Toda semana Fernanda e eu escolhemos uma notícia relacionada ao tema de sustentabilidade doméstica para colocarmos no site O Tao do Consumo. Como o foco do site atualmente é a luta contra a presença do bisfenol A em produtos alimentícios, muitas das notícias são sobre ações de proibição ou regulamentação em outros lugares no mundo ou pesquisas que abordam o assunto.
Nos preocupamos com o ciclo completo do consumo e o plástico, principalmente o descartável (justamente o que está relacionado aos alimentos) é um desafio na sustentabilidade. Minha campanha contra os plásticos descartáveis não é nova. O que achei de novo ontem foi a abordagem ao tema.

A editora Rodale que publica revistas como Runner’s World e Men’s Health  declarou que fevereiro será um mês sem plástico. Além de estimular leitores a consumir menos plástico para beneficiar a saúde a empresa também convidou 8 blogueiros para contar como serão suas experiências com o desafio.

É claro que passar o mês sem utilizar plástico não significa ficar sem eletricidade, computadores, encanamento, transporte ou equipamentos médicos. O foco são os plásticos descartáveis e embalagens.

Por que evitar o plástico?

Existem muitas razões para diminuir o consumo de plásticos descartáveis e embalagens plásticas. Elas são feitas com petróleo ou gás natural, duas fontes não renováveis extraídas através de processos que poluem a água e o ar. Fabricantes de plástico adicionam químicos em certos tipos de plástico que podem ser altamente tóxicos como o bisfenol A e ftalatos. E poucos tipos de plásticos são reciclados em grande quantidade.

As regras para o Fevereiro sem Plástico são:

1. Não comprar ou adquirir novos plásticos

2. Não cozinhar ou guardar alimentos em plástico

3. Minimizar o uso de qualquer outro plástico

Eu então comecei o desafio ontem. Em um evento de interpretação eu trouxe de casa minha garrafinha de metal e não bebí o copinho de água de plástico que foi oferecido no local. Hoje no escritório que dou aulas de inglês, pedi que o cafezinho fosse servido em uma xícara de louça. Ações simples, mas com um potencial de resultado acumulado grande. Pense em 50 anos.

Convido vocês a fazerem o mesmo e  dividir suas experiências. Tirem fotos, gravem vídeos, escrevam e nos mandem suas aventuras em busca de uma terra mais saudável e com menos plástico.

Outros blogs que relatarão a experiência do mês sem plástico:

Maya Rodale, MayaRodale.com/blog; Eric Hurlock, OrganicGardening.com; Harriet Shugarman, ClimateMama.com; Mike Lieberman, UrbanOrganicGardener.com; Anna Hackman, Green-talk.com; Jennifer Lorenzetti, Fast Cheap and Good; Danielle Gould, FoodandTechConnect.com; Liz Banse, Grrl Gone Green; Paul Clarke, School of Sustainability; Growing A Greener World w/Joe Lamp’l; Jen Savedge, The Green Parent; Corey Condello, CoreyCondello.com; Briton, EnslavedByFaeries.blogspot.com; News From Nowhere; Megan McWilliams, The Green Diva; Organicality.com; GreenDump.net; MPA Daily News Round-Up; Jen Walter, Jenni’s Jingles; Green Families UK; Liz Ask Liz First.

 

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